Como é inevitável pensar em tudo aquilo em momentos como esse. Aquilo, esse, aquilo, esse. Acho que passei grande parte da minha vida na indefinição, senão, pelo menos no implícito, no por dizer. Em horas (indefinidas) como essas, penso em como seria melhor se eu simplesmente gritasse sem parar o que grita dentro de mim. Mas não, ao contrário. Eu paro, penso, penso, penso, levo mais um pouco, penso, penso, penso... Até que, por fim, canso-me. E aí resolvo buscar meu caminho, minha essência. Doce ilusão acreditar que eu possa ser reduzida a um conceito, a uma definição, a uma essência. Mas, querendo ou não, algumas coisas em mim – e em nós – sempre gritam mais alto que outras. É nessas que eu procuro me apegar, por mais que às vezes (na maioria delas) eu as ignore. Ignoro o fato de não estar bem, de não ter me recuperado, de não estar feliz e tudo isso em uma tentativa frustrada de superar as suas interferências – constantes na ausência e avassaladoras na intensidade.
Escrito por Cidadão Padrão às 17h52
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Mesmo sendo um grande teatro, na vida, você sabe quem é quem?
Engraçado, em alguns lugares as redes sociais provocaram alterações culturais significativas, em outras instâncias nem tanto. Pra alguns seres o's Facebook, twitter e orkut consagram no máximo alguns poucos caracteres de fama, polegares pra cima e RT’s. Desabafos sem nexo em um mundo virtual ainda infantil, onde pode-se escolher quantas faces convém, típicos de indivíduos insatisfeitos com a capacidade a qual tiveram de traçar sua rota até o presente momento. Sim, eu disse capacidade individual, afinal, culpar circunstâncias e relativizar a culpa é uma característica me que dá pena, e dó é o que eu sempre evitei ter de qualquer um. Apesar de tudo isso, você sabe, eu sei, no final o trabalho duro é o que importa e determina o que você conquista. O “Hard Work”, o “acúmulo de energia” e conteúdo pra criar e atingir o que você quer por paixão e não por vaidade, porque a vaidade quando aliada a paixão se torna respeito, e aí meu amigo, aí você compreende o papel a ser desempenhado nesse grande teatro passageiro. Cada um sabe onde chegou, e o merecimento não adianta de nada caso não estiver casado com a capacidade de fazer acontecer e alterar de maneira significativa a realidade tosca que insiste em nos ditar o que e como ser. Sempre estive pronto pra criticar e apontar o dedo, mas a compreensão sempre me conteve, e hoje sei o valor e a diferença entre compreender, aceitar e criticar, e que cada uma dessas virtudes tem sua hora. Sem mais, me resta saudar quem faz por onde, honra o que se propõe a fazer e não foge da raia atrás de um post, de grana, o de qualquer subterfúgio que não vem ao caso. Esses não merecem ter os nomes citados, porque eu sei, ao ler eles se deliciam com as memórias e sensações que preenchem. e dão dignidade ao papel que cada um desenpenha. Porque os que merecem estão no lugar que merecem. E esse texto é pra quem merece, pra “quem tem”, não é pra “zé povim” qualquer não. Agora parceiro, quando você for falar mal, cite nomes, argumente e se coloque no lugar.
Escrito por Cidadão Padrão às 12h28
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E tudo fez sentido, subitamente. Não que eu tivesse pensado muito sobre o assunto, nem que eu não tivesse pensado. Mentira. Eu penso nisso desde que me entendo por gente. Não, na verdade, desde que não me entendo. Não, eu não queria ter dito tudo aquilo. Eu estava com medo de ter razão. Tive medo de que percebessem que eu estava certa de que o sentido daquilo tudo era exatamente a ausência de sentido. Não, a verdade é que não há saída, não há escapatória. Eu vi, não queria. Eu percebi, não queria. Eu disse, não devia. Está bem, vou tentar acreditar. Mas só mais uma vez. Mentira, eu não acredito mais.
Escrito por Cidadão Padrão às 21h31
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Antes daqui, eu sabia exatamente o que escreveria nesse momento, mas agora me fogem as palavras. Uma a uma, escorregam em um lugar próximo ao vazio, ao tudo e ao nada. E esse fato não tem qualquer relação com minha falta ou meu excesso de clareza.
Eu queria poder explodir aqui, agora mesmo, explodir em palavras, em versos ou em prosa. Talvez, dessa forma, seria possível explicar, relacionar, compreender os anos, os meses, os dias passados e os sentimentos envelhecidos e renovados, as mudanças e todo o emaranhado de explicações fáceis para assuntos complexos.
Aquela busca, aquelas projeções. Fracasso.
Fracasso porque aquilo tudo não existe, aquela felicidade, aquele excesso. Excesso de amor, de amizade, de vida, de perfeição, de conquistas, de vitórias. Excesso de excesso.
Finalmente, lembrei. Lembrei o porquê do texto. As máscaras. Descobri minhas máscaras. Descobri-me nelas. Acordei e deitei-me com elas. Alívio.
Alívio poder ter conhecimento de todos meus fingimentos, da minha mesquinhez, do meu falso moralismo, da minha carência, da minha intransigência; poder saber em que ponto eu começo e em que ponto eu termino, quando sou eu, com todos meus defeitos, minhas falhas, minhas fraquezas e com minhas forças e capacidades.
E assim, encontrei o conforto, simplesmente.
Escrito por Cidadão Padrão às 21h29
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Faz tanto tempo que não escrevo espontaneamente. Culpa da televisão, da internet (da limitação do número de caracteres – e de ideias), da faculdade (da fracassada tentativa de (im)parcialidade e cientificidade). Meu pensamento está sempre entrecortado, lacônico, perpassado por ruídos, interferências e sussurros. Devo estar ficando louca. Sua culpa... Você faz os ruídos; você interfere – a todo o momento, incessantemente. É você quem sussurra em meus ouvidos, em minha mente. E pra quê? Por quê? Talvez seja inevitável para você e irresistível para mim. Estou suscetível a seu ser, a seu domínio, a seu poder - como uma criança amedrontada diante de uma repressão paternal, como uma pessoa carente e solitária que se regozija com os elogios de um ébrio. Gostaria de poder controlar os efeitos de suas palavras e de seus gestos sobre mim. Ilusão, eu sei. Impossível controlar esses efeitos. Nem você os controla. Nem você sabe (d)o que e sobre o que diz. Mas isso nem importa. Talvez o importante mesmo seja produzir significados, sentimentos, sentidos através das palavras, dos gestos, do silêncio... não importando os efeitos em si – múltiplos e mutáveis, por isso, incontroláveis. Mesmo assim, impossível não me sentir atingida por seus efeitos, que, ao final do dia, são apenas meus – exatamente por eu não ser capaz de descobrir quais foram suas intenções ao dizer ou ao não dizer. Eu atribuo os sentidos, eu crio, eu fantasio e, assim, eu me iludo com suas (minhas?) palavras. E é exatamente por isso que eu sou você. Você me constitui, ao passo que eu te (des)constituo. Há partes suas em mim, há partes minhas em você. Partes que são todo. Todo que é tudo e nada.
Escrito por Cidadão Padrão às 21h05
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Quisera eu conseguir esquecer tudo e seguir. Seguir pelo tempo que fosse, por qualquer lugar, por qualquer caminho, mesmo que tortuoso. E saber que, ainda assim, você não se importaria, como sempre fez, como nunca fez. E tudo que nós planejamos, e tudo que eu sonhei por mim e por você se perdeu. Todas aquelas migalhas que me satisfizeram (lembra-se delas?), hoje são vistas como realmente são: migalhas. Sem idealismos, sem ilusões, sem fingimentos. Porque simplesmente tudo isso é muito pouco, simplesmente eu me deixei levar para outros caminhos, distantes e diferentes dos seus. É o cansaço, é a falta de crença em mim, é a falta de confiança em você. Mas faça e seja o que você achar melhor, mesmo que seja o seu pior. Eu vou fingir que não me importo. Fingir, de novo. Só pra saber se fingir longe de você diminui o ímpeto, o torpor, a tempestade.
Escrito por Cidadão Padrão às 20h17
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Vou tentar.
Qualquer coisa que eu tente escrever vai me soar estranho. Por inúmeras razões, a vida se perdeu em um grande moinho. Todos os medos de que eu fugia acabaram me encontrando. Os medos de classe média, os medos burgueses, a educação do medo. Nós nascemos no escuro, nosso destino é incompleto. E quanto mais eu acredito estar no caminho certo, mais me parece patético. Porque é simplesmente óbvio perceber o quanto sou espectadora da minha própria vida e como tudo passa rapidamente a ponto de se tornar efêmero e leviano. Eu mesma me tornei efêmera e leviana, por mais que eu não deixe você perceber. Meus sentimentos se transformam absurdamente rápido, os vínculos se quebram, as ilusões me dominam inutilmente e loucamente. Faço de você um príncipe, faço de você um monstro em apenas alguns segundos. Os míseros e assustadores segundos que te transformam em uma criatura adorável e que te reduzem a lama. Só que depois tudo passa e os sentimentos, as sensações, os pensamentos, as frustrações voltam ao seu devido e óbvio lugar; voltam ao estágio inicial, voltam à angustiante dúvida de sempre, ao angustiante medo de sempre. Mas esse não é o último dia da minha vida, nem o último dia do tempo. Ainda existem muitos recursos. Nenhum vai resolver, eu sei. Também sei que existem tantas palavras comprimidas em mim, buscando saída, só esperando para explodir. Em vão, tentei me explicar com palavras pálidas, desbotadas, perdidas. São todas minhas; são feias, surdas, mudas, mas são tentativas.
Escrito por Cidadão Padrão às 21h29
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Dito, Não dito e Falta do que falar.
Falar da falta do que falar. Não que as circunstâncias não estão me dizendo muito, e sim ao contrário, é tanto que me perco. O silêncio exige um diálogo interno, destruidor por natureza. Se pra quem sabe ler um ponto é muito, pra quem quer falar e não sabe por onde começar ou o simples medo de ser perder no caminho já intimida, deve aprender por obrigação então o não dito. Logo não mais me incomoda o não dito. Evito o colorido e atraente, que no fundo só é um dito não dito, frustrado e arrogante. Incomoda-me muito, isso sim, o excesso do falar, e o constante demonstrar que sempre está preparado para responder e enquadrar uma ação qualquer ao seu redor. Como um campo receptor, apto a receber todos os sinais e devolver decodificado.
Nesse processo de recepção e em seguida decodificação, o receptor passa a ser autor. Ora, estou falando de um ser humano. Ele desenha, pincela, destrói, constrói e te entrega babado. Um sem dente fingiu mastigar e te entregou. Pra não depender de artistas da construção Xerox plástico, é preciso sim aprender a sentir o não dito, fazer o silêncio amigo, e não deve ser fácil. É um exercício de auto destruição constante, como havia dito acima.
Uma grande banda acaba de ter seu fim anunciado. Rodrigo, vocal da banda curitibana Colligere diz que o papel dele na banda sempre foi dizer algo, e então ele justifica a sua saída: Não tenho mais o que dizer. Alguns ficam perdidos com isso, dizendo pérolas como “ele não pode superar o que disse nas letras anteriores?”; “ele não lê muito, deve ter algo pra falar sim”. É engraçado a pressão pelo apoio, bengala para cômodos. Sim, chamo isso de apoio, as pessoas precisam do dito e óbvio pra continuar existindo? Necessitam da constante novidade, mesmo que copiada e colada em uma combinação diferente? Parece que sim. É sempre mais fácil falar, escutar, vomitar. Difícil mesmo, sentir e se colocar diante do infinito raio de possibilidades de dizer e não dizer, e perceber que nesse inacabado de entradas, nós temos a capacidade de captar tudo que está a nossa frente. Sem entrar, nós temos o Poder de dialogar com tudo. Estamos passando diante de todas essas entradas e muitas se abrem desesperadas, na falta do que dizer, não param de falar; enquanto outras estão trancadas, e o máximo que nossos sentidos podem é entender o não dito daquela que você fica curioso pra entrar mas não pode. Muitos param aqui, preferem entrar no fácil e no cômodo.
O não dito, o quase dito, silenciado, são sinônimos pro subterrâneo. O menos importante, o marginal, aquele que vive a margem das ações e que por algum motivo estava ali e sentiu. Muitos estudam buscando, mas nunca poderão sentir o que aquele à margem por acaso experimentou. Nós temos respostas pra todas experiências? Sim, se aprendermos a dar voz ao subterrâneo, se escutarmos o não dito. Temos mecanismos modernos que podem nos fornecer mil respostas, localizar culpados e motivos. Mas isso nos tem guinado para uma falta de sentir sem saída, deixando em segundo plano o silêncio e os acasos. Uma ciência profissional em construir acasos, o que é contraditório, uma vez que acaso é acaso e não pode ser fabricado.
O que quero falar é que não tenho falado, e estou em um SPA de aprendizado, vendo até que ponto ainda posso fazer do não dito meu aliado. Não é uma falta do que falar, acho que é, sobretudo uma opção por não falar.E acabo querendo dizer alguma coisa, não aceite o mastigado, normalmente quem quer pensar por você nem dentes tem para fazê-lo. Aceite meu silêncio como a mais sincera resposta, e não encare-o como vazio, mas sim como o mais sincero e justo que posso te oferecer.
Escrito por Cidadão Padrão às 23h12
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Resolvi me enforcar
Entenda como quiser, eu não me importo. Resolvi me enforcar por todas as coisas que pensei em dizer e não disse. Tomei essa decisão pelo simples fato de não agüentar mais, de não entender e de não me fazer entender. Resolvi me enforcar por todas as pessoas que passaram na minha vida e que não tiveram nenhum significado. Resolvi me enforcar pelos meus erros que não são poucos e que me perseguem por todas as ruas que passo. Resolvi me enforcar por não encontrar sentido nem lógica para tudo que vejo e sinto e por saber, francamente, que sentidos e lógicas não existem. Resolvi me enforcar por não enxergar mais nada, mais nada além da miserável existência que afoga as minhas pequenas esperanças. Resolvi me enforcar por perceber que luto por objetivos decadentes, por uma vida comum, por sonhos comuns. Resolvi me enforcar pela minha vida monótona e repetitiva, pelos meus dias que passaram e não ficaram e pelos dias que virão e serão os mesmos de ontem. Resolvi me enforcar pelo tempo que passa e não transforma, pela visão que me falta e me ilude. Resolvi me enforcar pelas cobranças, minhas e alheias; pela enorme gentileza com que jogam na minha cara que é a minha vida que está em jogo. Resolvi me enforcar por todas as falsas expectivas e tentativas de felicidade, por tentar apreciar os pequenos momentos e não entender o seu grande significado. Resolvi me enforcar pelas atitudes cômodas e sensatas e pelos sorrisos que acorrentaram minha alma. Resolvi me enforcar por saber que me perdi dentro de um vazio sem começo nem fim. Resolvi me enforcar na corda da liberdade... E repito: entenda como quiser.
Escrito por Cidadão Padrão às 18h39
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Vontade e Percepção.
Que vontade de escrever. É só isso mesmo, vontade sobre vontade. Sei bem que deveria haver um motivo de modo que este pudesse conduzir esta escrita, e talvez até tenha, mas antes de tudo vontade. Também compreendo que no começo do texto devemos fazer uma breve introdução de modo que quem irá ler possa começar a visualizar aos poucos. Porém sem uma temática definida não posso lançar uma introdução certeira. Então, se você por algum motivo for se arriscar a ler, por você, talvez, posso adiantar que os parágrafos seguintes irão falar de “formas”, isso mesmo, desse modo eu defino tudo que vem acontecendo. Ora, isso aqui não é nada mais que fruto de uma série de acontecimentos que estão loucos pra tornarem-se idéias. Pra variar pensei muito sobre formas, modos, comportamentos. Temas que talvez sejam correntes em outros textos postados aqui, como por exemplo, no “Nascimento da experiência”, “Velho e o moço” e alguns outros, pra não dizer todos. Isso me leva a crer que essa tão faminta vontade que citei na primeira linha não é tão estranha e nova, mas sim um rio que não para, sempre encontrados outros, que flui em mim sempre e está longe de secar.
Tem uma canção que diz: “(...)Como é difícil agir quando se percebe agindo(...)”. No primeiro momento que tive contado com esta música, não fez tanto sentido, porém, como seu sempre digo, devemos escutar um CD várias vezes até começar a entender o texto e por fim tirar algumas conclusões. Não quero especificar de quem é o CD ou de quem é a música, simplesmente por que não vem ao caso e também pelo fato de fazer questão de evitar textos cheios de citações extremamente chatas. Voltando na percepção da ação. Você já se percebeu agindo? Parece bem óbvio que todos irão dizer sim, assim como eu também me disse sim quando ouvi a música pela primeira vez. Mas será mesmo? Pensando mais e percebendo o texto da música comecei a me ater mais a questão e aprofundando. Conclui que é mesmo difícil agir quando se percebe agindo. Percebemos-nos agindo. Vamos ao banheiro e percebemos isso. Colocamos determinada roupa e percebemos isso. Graças a alguns sentidos básicos como visão e audição, podemos perceber nossas ações. Mas indo além, vamos chamar o ato de “perceber” que a música cita de “questionar”. Como é difícil agir quando nos questionamos sobre determinada ação. Entende?
Um exemplo. Alguns amigos depois de algum tempo de banda se juntam para gravar um CD. Independente do estilo ou qualquer coisa. Há um fato, eles vão gravar. Obviamente eles sabem que vão gravar. Mas eles percebem, eles têm sensibilidade suficiente que vão gravar um CD? Entende que existe um espaço enorme entre só gravar e perceber que está gravando? Vou tentar exemplificar pra de alguma maneira você visualizar. Uma banda ao gravar pode ser perguntar sobre o que eles vão escrever, pra quem eles vão escrever o que eles querem com essa gravação. Ou então eles podem só ir ao estúdio, pegar letras que algum colega de um conhecido que ele nem conhece porque fulano de tal indicou, e o cara que escreveu é vocalista de uma banda foda, então tem “selo de qualidade”. Viu a diferença de se perceber agindo ou simplesmente agir? É essa. Pra quem percebe/questiona existe uma possibilidade de saber o que se faz, que faz de um lugar, faz pra determinadas pessoas. Pra quem simplesmente vai é como o político que não sabe o que faz. Você pergunta pro político perdido: Como você se tornou uma pessoa pública responsável pela proteção e desenvolvimento do patrimônio de um país? Ele deve dizer: Não sei, sabe, meu pai era coronel do interior da Bahia, virou senador, eu entrei no ramo porque meu pai estava bem de vida, estava tudo encaminhado. Resumindo é o famoso “não sei, só sei que foi assim”. Falando numa linguagem “Zeca Pagagodeira” é o seguinte: “Vida leva eu”.
Muitas vezes estamos em determinados grupos/faculdade/igrejas/estilos-de-vida/dietas/lugares e mais uma pá de coisas e não nos percebemos. Só sabemos que estamos ali e isso basta. Como sempre optamos pelo mais cômodo, pela passividade e burrice. Já está tudo pronto. Eu devo me vestir assim, devo escutar isso, devo ler aquilo, devo fazer determinado curso na faculdade, devo ter um salário X. Estamos aceitando tudo de forma amorosa/cristã/branca/ocidental sem ao menos nos perguntar se é assim, sem nos questionar até que ponto aquilo é real e irá fazer algum sentido que você possa repousar sobre ele. Até mesmo alguns que se dizem contra culturais, esquerdas, radicais, hardcore, ant isso, pró aquilo se inserem em grupos e não se percebem agindo dentro desses grupos. Ora, só porque você se intitula qualquer coisa dessas você continua agindo, ainda é preciso saber e conhecer o meio que você está inserido, e com toda certeza do mundo ele não é perfeito e também tem mil defeitos assim como a igreja que você condena, aquela que sua mãe vai todo santo dia, ou então a igreja evangélica que faz um barulho danado bem do lado da sua casa.
As formas estão prontas pra você comprar. Pra comprar não basta ter milhões de reais, basta se portar de alguma forma e ter a estética bem aceita no grupo que você quer entrar. Eles terão as regras, horários e manuais. Se você estiver ciente disso e ainda assim tiver interesse em permanecer, ao menos deve se perceber agindo a todo o momento. Se perceber agindo é não levar tão a sério a cartilha do grupo/família/igreja/underground ou qualquer outra instituição falida. Quando você não se leva tão a sério, nem leva o grupo tão a sério, você pode perceber e começar a questionar tudo, no sentido de melhorar tudo aquilo que por algum motivo você acha que mereça ser melhorado, desde o banheiro que está com a descarga estragada até discutir com o pastor sobre Deus. Não perceber é ir pra Igreja e dizer amém e ficar balançando a cabecinha pra cima e pra baixo. Perceber é conhecer a fundo, igual fiel que lê a bíblia e estuda a história da mesma, e com isso ele adquire a liberdade pra questionar e até mesmo duvidar da existência de alguma coisa.
Isso mesmo, conhecimento é a liberdade pra você poder questionar. Assim como quando você aprende a contar e sabe que seu troco é 10, mas o cara te volta nove, você fala que está errado. Mesmo que o cara da padaria seja o dono do estabelecimento, esteja cercado de seguranças e até mesmo esteja armado, ele não pode fazer nada, simplesmente porque você sabe contar. Entende a profundidade do “saber contar”? Do mesmo modo irá acontecer em todas as instituições falidas que te convidam todos os dias, os líderes delas são os donos, bancam de sabe tudo, e estão loucos pra ter você como fiel, pra vestir a roupa que ele disse que é boa, a música que ele garantia ser ótima. Estão com a receita pra te fazer melhor, e até pra mudar o mundo. Enfim, ele quer que você seja uma reprodução dele somente para depois o líder poder dizer pra alguém: Olha, mais um fã destemido seguindo meus mandamentos. Mas se você tiver sensibilidade aliada com o conhecimento, e isso é a liberdade, como já disse, você pode ser igual o cara que sabe contar na hora do troco, simplesmente pelo fato de saber contar o líder/balconista/pastor/cacique-hardcore vai ter que prestar contas, afinal agora você já sabe que ele é só uma invenção pra alimentar interesses próprios.
Ainda bem que não existe mais regras de introdução, meio e fim que a tia da quarta série ensinou. Hoje os textos podem estar embaralhados, o importante é o leitor ter uma noção do que está sendo dito. E isso, com certeza, só acabou quando algum perdido teve a capacidade de perceber que não era preciso introdução no começo, desenvolvimento no meio e fim no final. Graças a ele, eu posso dar mais um exemplo, reforçando a idéia “central” do texto. E de quebra ainda justificar a não introdução. Mas isso é só vontade de escrever.
Escrito por Cidadão Padrão às 17h52
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