Dando continuidade ao Projeto Resenha, vamos disponibilizar um material desenvolvido pelo Arthur. Como já havia comentado, estamos postando todo Domingo. Recebemos alguns emails, scraps, mas, até agora ninguém mandou material. Vamos por a mão na massa pessoal! Valeu pelos comentários tanto via internet quanto pessoalmente, muito gratificante.
Mande seu material: bals88@gmail.com
Divirta-se.
Escrito por Cidadão Padrão às 20h07
[]
[envie esta mensagem]

Com 15 anos de banda, sendo 12 de underground, o Dead Fish lançou em julho
desse ano o álbum ''Um Homem Só'', segundo disco da banda lançado pela
Deckdisc. A banda que já havia causado ódio nos fãs mais radicais, a turma
do ''se vendeu'', pelo fato de ter assinado com uma gravadora de maior
porte, trás em ''Um Homem Só'' vários elementos que algumas pessoas do meio
punk/hardcore, permeadas pelo hermetismo peculiar do meio, odeiam. Um
trabalho diversificado, com muito peso e melodia nas guitarras, batidas que
algumas vezes não seguem o dogma hardcoreano do ''tupá-tupá'' e letras mais
subjetivas e com uma densidade maior. O Cd tem um clima conceitual que é
evidenciado de cara pelo título, ''Um Homem Só'', e pela arte do encarte,
muito bem feita por sinal. A individualidade é um tema bastante recorrente
nas letras, não no sentido hostil da palavra, mas no sentido de ter mais
personalidade no que acredita, ao invés de ficar se escondendo por trás de
ideologias baratas e conceitos pré-fabricados. Rodrigo explicou a mudança de
foco nas letras em uma entrevista, ''Movimentos, heróis, lideres, religiões,
ideologias sempre tiveram boas intenções, mas nunca bastou, as pessoas
sempre se anularam diante destas coisas, se esconderam, acharam motivos nos
outros e nunca em si mesmo pra justificar a propria mediocridade e defeitos.
Estas letras, a meu ver não dizem, "fique deprimido pois não tem mais onde
se encostar", mas sim, "olha, agora chega né? Tá na hora de andar com os
próprios pés, de parar de se esconder, chega de apontar o dedo de seus
defeitos nos outros, basta de zé povinismo né?". O cd começa logo de cara
com uma alerta na faixa ''Destruir Tudo Denovo'', ''É assim a vida é
movimento, Sentados em certeza, um dia tudo para'', a letra fala sobre
destruir coerências que se tornaram ultrapassadas ao longo do tempo,
acompanhada de um instrumental que lembra muito a banda americana Hot Water
Music, a música abre o Cd em grande estilo. Em ''Didático'', Rodrigo usa
termos técnicos da Economia pra criticar o reflexo da ordem atual na
sociedade, destaque para as guitarras, que fazem um trabalho impecável na música.
Escrito por Cidadão Padrão às 20h06
[]
[envie esta mensagem]

Em ''Rei De Açúcar'', a criticidade continua, apontando mais uma vez
para a ineficácia de grande parte de líderes, mártirs etc. ''Um novo herói
irá surgir e se convencer que será eterno quando a chuva cair, sonhos
sinceros de poder pra corromper, bodes expiatórios de um jogo sem fim''.
''Fora Do Mapa'' tem uma letra e um instrumental que se completam, dando
muito feeling pra música, destaque para o desfecho da música, que sintetiza
toda a mensagem e a vibe da música. ''Que seja sem destino, que seja sem
razão, que seja tão intenso como tudo deve ser''. Logo em seguida, ''Old
Boy'' chega destruindo tudo, um hardcorezão característico da banda, a letra
fala sobre vingança e é inspirada no filme sul-coreano ''Old Boy''.
''Obrigação'', primeiro single do Cd, cria um clima totalmente oposto ao de
''Old Boy'', melodia e emoção, mas sem soar emo, meloso ou coisas do tipo, a letra fala sobre rotina e sobre as obrigações sufocantes do dia-a-dia.
Escrito por Cidadão Padrão às 20h04
[]
[envie esta mensagem]

É impressionante como o disco leva o ouvinte a lugares diferentes, mas que, ao
mesmo tempo, coexistem pacificamente, ou melhor, caoticamente, em ''Diesel''
não é diferente, a faixa é pesada e direta, guitarras bem rock'n'roll e uma
linha de baixo muito bem elaborada. A letra fala sobre a dificuldade de se
emancipar de ranços herdados quando se tenta fazer algo diferente. Após a
pancada de ''Diesel'', mais uma vez é criado um clima mais ameno, dessa vez
com ''Exílio'', que é uma faixa muito bem trabalhada, com uma linha de vocal
bem legal. A letra também não fica atrás, é uma das mais subjetivas do disco
e parece retratar uma repetição de erros e desilusões, mas também aborda o
aprendizado com os erros e o surgimento de novas perspectivas, ela parece
estar ligada de alguma forma com a letra da 1a faixa, ''Destruir Tudo
Denovo'', pois quando se constata a ineficácia de algo ou se vivencia uma
desilusão ou você vai se estagnar ou vai destruir conceitos e idéias e se
reciclar. Logo depois, criando mais um contratempo no disco, vem a faixa
''Canção Menor'', aquela música rápida e breve que não podia faltar em um Cd
do Dead Fish, a letra é uma extensão da temática abordada por ''Exílio'',
mas agora de uma forma menos altruísta. Em seguida, a batida mais uma vez
desacelera, mas em ''Menos Do Mesmo'', a calmaria parece estar prestes a
desabar durante a faixa inteira, até que no final a música é inundada pela
pancadaria, as linhas de guitarra lembram as bandas de Washington dos anos
80, a faixa como um todo lembra um pouco as bandas da Dischord. A letra
parece retratar alguém que apresenta um discurso hipócrita, que tenta vender
uma falsa imagem apenas para se beneficiar, é uma problemática bem atual e
podendo abranger desde o cenário musical até o nosso dia-a-dia. A
abrangência nas letras parece ter sido proposital, afinal, a mudança não é
feita apenas num aspecto ''macro'', mas também no nosso próprio dia-a-dia.
De que adianta alguém ser engajado, gritar palavras de ordem se, muitas
vezes, no cotidiano é extremamente egoísta e finge não ver várias coisas,
preferindo tapar o sol com a peneira? Acho que essa é a alerta principal do
álbum, realçar o potencial individual de mudança de cada um, que pode ser o
grande diferencial na hora de fazer diferente. A 11a faixa, ''Eleito Por
Escrito por Cidadão Padrão às 19h59
[]
[envie esta mensagem]

Ninguém'', retrata a desilusão com a esquerda institucionalizada e é uma
faixa simples e direta, sem firulas. Logo após, um dos melhores riffs do
álbum anuncia a faixa ''Couraça'', uma das mais bem trabalhadas do disco,
que tem uma das melhores frases do disco, ''Quantos salários vão calar a sua
opinião?''. Fechando o Cd com chave de ouro, a faixa-título do disco, ''Um
Homem Só'', é um verdadeiro tapa na cara e sintetiza todo o conceito do
disco, mostrando que o caminho para a mudança começa a partir de você mesmo,
sem precisar se apóiar em discursos feitos, em dogmas, teorias etc. O
conceito de auto-reciclagem, tão presente no álbum, parece se aplicar a
banda, pois o Dead Fish, com ''Um Homem Só'', parece estar trilhando outro
caminho na sua carreira, buscando renovação musical e temática e se
esquivando da mesmice do cenário musical atual, mas sem deixar de lado a
criticidade e autenticidade que lhe é peculiar.
Escrito por Cidadão Padrão às 19h55
[]
[envie esta mensagem]

|