O Nascimento da experiência e seus fins.
O Nascimento da experiência
Eu nunca sei os meses propícios para chuva, minha mãe que é boa nisso. Crendices a parte, eu adoro a chuva. Quando chove parece que sobe um cheiro de chão, o qual me retoma algumas memórias. Nesse ritual tão curioso acaba ocorrendo uma espécie de encontro, no qual estão presentes duas pessoas. De um lado parte de meu passado que de tão nostálgico pode-se ser chamado de saudade. Do outro uma tentativa incerta e difusa de um futuro, jovem e cheio de coisas novas pra contar. Os dois no princípio não se parecem nem um pouco, fazem até cara feia um para o outro. Só no começo, porque depois eles se apaixonam. Um eu vou chamar um de saudade e o outro de enfrente.
Princípio de chuva é sinônimo de espirro pra minha mãe. Ele dá uma espirrada e logo olha pro céu, pode-se esperar que lá vem o dizer: Vai chover. Do mesmo modo, porém com outras maneiras, me bate no espírito quando o encontro de “saudade” e de “enfrente” está se aproximando. Não de cima pra baixo como se alguém o qual não se sabe como nem onde, pelo contrário, as coisas simplesmente começam a acontecer. Primeiro a chuva trazendo o cheiro. Mas que cheiro é esse? Cheiro das minhas antigas saídas, dos meus antigos textos, dos meus antigos papos. Depois são os ouvidos diretamente ligado a noção da memória. Começa a recair sobre mim músicas as quais de certo modo fazem-me reviver momentos e causos divertidos, viagens, esquinas e sofás, enfim, tudo que ocorreu nesses.
O “enfrente”, como se deve imaginar, eu não sei bem de qual é a dele. Não consigo pescar o que ele quer, nem de onde vem e que hora vai. E na verdade descobri, pelo menos penso que ele nada mais é que uma “saudade” mais rebelde e apressada. Uma saudade meio indomável, não mede os passos. Como um adolescente mesmo, que só quer curtir todas as amiguinhas, ter todas as namoradinhas possíveis. Adora criar. Diante de todos os padrões é ele que vira as costas e começa a desenhar as coisas de cabeça pra baixo, mas aquele desenho é tão e belo e divertido, mesmo sem a aprovação alheia. Não é o porra-loca, na verdade é um acorde não tão bem planejado e calculado, mas que soa bem e tem boas intenções. Não necessariamente este é um padrão, mas é o que pude observar e experimentar nesses meus dezoito de convivência.
Talvez experiência, tornar-se maduro seja realmente isso. Saudade e Enfrente se encontrando, trocando idéias e conselhos. De forma até amorosa, uma vez que eles são um só na verdade, sendo assim, não seria justo trapacear um e outro. Então, não há uma idade mais experiente e merecedora que a outra. Afinal a experiência é a necessária naquele momento, é o que o individuo alcançou, por se só basta, pois é isto que irá definir alguns caminhos a percorrer, e é isso que irá determinar uma carga tal de experiência futura. Então, medir experiência a partir de padrões é no mínino centrismo, bairrismo e alguns “ismos” que estão aí pra conformar e disfarçar, dizendo que irão confortar, mentira deles. Quando “Enfrente” e “Saudade” são tratados de formas artificiais, mesmo que de forma inconsciente, as experiências tendem a tomar formas nebulosas. Vamos tentar esboçar algumas tentativas de exemplo: Algumas experiências onde a parte “saudade” se torna mais agressiva e inflexível formam-se o que se chama de Estilo, Feixes impenetráveis onde pra se adentrar precisa fazer parte de uma estética aceitável. Outras, onde o enfrente é frustrado e incapacitado, surja o que alguns costumam chamar de ditadura, padrão, modelo e que também não deixa de ser um estilo.
Escrito por Cidadão Padrão às 11h55
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