Você e o tempo
O tempo. Ele não passa, ele finge que vai e volta, te engana, te destrói e lhe mata de rir no mesmo segundo. O tempo não existe, existem sim as coisas, assim como nós. Existem mesmo as categorias a qual nós, tão pequenos, ousamos criar: Séculos, anos, meses, dias, horas, minutos, "pra já" e tantas outras. O tempo não corre, prefere ir devagar, devegar, ele é incalculável, o que ocorre são acontecimentos que exigem demarcações. Dentro dessas categorias eu completo 19 anos.
Uma coisa só passa quando ela passa, ou seja, se ela vive passando é por que não passou e sempre vai estar presente. Isso não é lógico? O tempo é isto, passageiro, intocável e imóvel. Por isso eu prefiro o Agora a passado e futuro. Afinal o que é o Agora se não tudo isso junto? Tudo isso: presente, passado, futuro, ontem, hoje, agorinha... O agora é isso tudo, tudo isso se perdendo entre as coisas e as ações. O agora é uma mera tentativa de futuro apoiado em passados pertos. Está tudo tão próximo, eu posso sentir.
As coisas se transformam de forma tão feroz atualmente, alterando logo nosso tempo. O homem no século XVI que esperava o galo cantar para ir pra guerra, ou media seu calendário de acordo com a festa religiosa já não mais existe. Há agora, homens e mulheres que a todo momento verificam suas agendas, fazendo uma rápida comparação com seus vários relógios (pulso, parede, celular, carro, computador).
Estamos no tempo onde não se pergunta se está na hora, mas sim já é a hora, estamos sempre atrasados. Hora de acordar, hora de almoçar, trabalhar, voltar, fingir, engolir e assim repetir com meros intervalos de embriaguês. Este tempo, onde sempre é a hora, não sobra intervalo, você não se dá um tempo. E você não se dando um tempo, com certeza, o tempo não lhe dará nada.
O corpo sente na pele o tempo, literalmente. As madames com suas plásticas atemporais modernas, baseadas em espíritos arcaicos. Elas, ah, elas não sabem o que perdem. Perdem a chance de sentir o tempo, de palpar e deliciar-se-ia com as cicatrizes que mais parecem ser saudades e momentos cristalizados. E os jovens que perdem tempo se transformando em algo que nem sabe o que são. Se for pra ser assim, o novo já nasce velho, e o novo se apodrece mais rapidamente, então pra que se lançar no tempo?
Progresso, o tempo pede progresso dizem por aí. Aliás, medem o tempo de acordo com o chamado desenvolvimento. Os feitos modernos, eu oportunamente aqui quero demonstrar alguns, clichês admito, básicos também admito, mas ignorados vocês devem admitir. Corrupção, Fome, Miséria e o fim do mundo, agilizado pela falta de educação com o meio ambiente. Tudo em nome do progresso, mas que progresso é esse que quer encerrar os tempos? Contraditório, não é?
Amigos, família, me desculpem se meu tempo não é mesmo de vocês. Vamos nos respeitar, cada um aqui tem seu tempo e espaço. Eu vou passar horas te mostrando meu infinito e vocês não vão se perder nele da mesma maneira que eu me perco. Eu vou passar uma vida inteira lhe demonstrando o quanto o meu infinito é perto e vocês vão cansar de caminhar até lá.
Vamos nos respeitar, vamos permitir diferentes tempos. Vamos admitir diferentes idas e chegadas. Vamos lá, pra ser um pouco otimista e pra fechar de maneira, digamos “vai dar certo” este texto que tanto gostei de escrever: inventar tempos onde todos possam conviver com as diferenças. Vamos lá, pra destruir os universos bonitinhos: inventar um tempo onde se pode ao menos atrasar toda essa desordem que nós estamos fadados, o fim não é belo, isso você deve saber. Podemos até fingir, vamos-nos escondendo atrás de falhas teorias, vamos celebrar deuses que não são nós mesmos. O tempo e você, você e o tempo. O tempo é você, você é o tempo.
Um brinde, família e amigos. Amigos e amores que o tempo me tirou, ou então eu não percebi o tempo deles e eles o meu, e com isso tudo se foi. Um brinde a todos que compreendem um pouco do meu infinito e não se preocupam em julgar. A todos aqueles que hora ou outra me fizeram e fazem dominar o tempo que me cerca, ou pelo menos me fazer pensar que posso. Singelamente, OBRIGADO, o dezoito pro dezenove foi o melhor intervalo de tempo, mesmo que um pouco confuso. Tive o melhor ano da minha vida e a culpa é toda de vocês, agradeço sem medir esforços.
p.S (Dica): Leia escutando uma música que gostem.
Escrito por Cidadão Padrão às 15h00
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