Fiquei com vontade de escrever. Algo quase surreal nas atuais circunstâncias, já que eu estou tão vazia. Ironicamente, minha cabeça está prestes a explodir de tanta informação. Mas quanto mais eu penso, menos eu sinto. Não tenho palavras para expressar essa sensação, eu tenho vergonha de mim, vergonha dos outros. Aquela minha fase obscura parece retornar. Lembra-se dela? Eu estou me fechando de novo, estou triste, com raiva, com vontade de me vingar do primeiro indivíduo que aparecer na minha frente. Não sei o motivo, mas esse ano eu me tornei extremamente introspectiva. Igual eu estava há uns tempos. Não converso com ninguém, me sinto mal onde estou, quero fugir de todos, fugir de mim. O prazer em fazer as coisas se esvaiu quase que completamente. A minha sorte é que eu tenho algumas pretensões, poucas, mas tenho. Sabe aquela vontade que você tem de que o mundo acabe? Eu tenho às vezes. Desejo de evasão, acho que é isso. Pode ficar preocupado, eu também estou. E hoje pra melhorar ainda mais, eu me deparo com uma cena tão grotesca que me só de lembrar me dá vontade de chorar. Eu tive a sensação de que eu era o próprio vírus da Aids. Horrível, eu sei. Como pode? Como pode um ser humano ser tão cruel, tão insensível. O pior é a hipocrisia: tão contido nos momentos sociais, falando bem, mas quando precisa ser bom de verdade não é e na hora que retira as couraças dá até asco. E é a mesma merda em todo lugar que eu vou. Eu sempre me deparo com pessoas assim, que vivem de aparências. Impressionam as pessoas com o jeito cativante, só lembram de você quando precisam de ajuda ou de alguma informação, porque senão fingem que você nem existe. Ou eu estou exagerando? Às vezes eu fico com medo. Será que isso não é um reflexo da minha pessoa? Todo lugar é assim, vai ver eu sou o problema e todas essas pessoas são a solução. Você está vendo como eu estou? A mesma coisa de antes, perdi a fé nas pessoas. Parei de confiar. E de novo. Parece um ciclo vicioso. Olha que texto mais limitado, eu não saio disso. Eu fiquei sem palavras. Esse ano acabou comigo. Eu me matei por ele e olha só o que isso me trouxe. Cada escolha é uma renúncia mesmo, né? Isso fica mais nítido para mim a cada dia que passa. Eu sempre renuncio várias coisas, só espero escolher as corretas. Não dá pra ser você mesmo nessa vida. Bom, dá, mas o que isso acarreta é difícil de aceitar. Eu espero ter força suficiente. Eu espero mesmo. Mudanças bruscas não fazem bem pra mim. E fazem. O problema é essa transição. Fases de transição me deprimem, deixam minha auto-crítica – e crítica – mais ácida ainda. E isso não me faz bem. Nem um pouco. Dá pra ver na minha cara, não é? É, eu sei que eu te desanimo.
Escrito por Cidadão Padrão às 21h13
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