Foi no instante em que te vi que eu percebi. Foi quando eu olhei para os seus olhos que eu tive a certeza de que tudo aquilo pelo que a gente luta, todos os discursos e posturas rígidas são perdas de tempo. E eu não sei se vou conseguir explicar, não sei se quero nem se cabe a mim. Faltam palavras. É uma sensação de tristeza e de indignação ao mesmo tempo. Tristeza por saber que todo esse tempo foi perdido com causas perdidas, com objetivos falsos, com desculpas banais e com toda aquela correria monótona dos nossos dias que esconde aquilo que nós sentimos. Indignação porque você sabe que, no fundo, ninguém quer assumir aquilo que sente nem o que pensa. Talvez por falta de coragem ou por ser mais conveniente; afinal, não há nada melhor do que colocar a culpa no tempo ou na falta dele. Eu sei, já que faço isso sempre. A culpa da minha indiferença - e da sua também – está, como nós sempre nos desculpamos, na falta de tempo, na correria patética atrás de objetivos indefinidos. E eu estou cansada disso. Eu queria poder te falar tudo aquilo que eu sinto e penso; tentar entender o que aconteceu com a gente e porque tanta indiferença. Desculpa, mas eu vou chorar. Não tenho forças para encarar tudo isso. É demais pra mim. Eu pensei que fosse fria o suficiente, mas acho que não sou. Esse ambiente de competição que a gente vive é abominável e não leva a lugar nenhum. Eu me vejo, às vezes, lutando por causas perdidas, procurando respostas para tudo, só para arranjar justificativas sólidas para o meu modo de agir. Mas, na verdade, o que eu queria mesmo é ir embora, de qualquer maneira. Já tive idéias suicidas, confesso, mas não me orgulho nada delas. Cansei de ver em mim tentativas frustradas de felicidade. Cansei de ver em você verdades falsas que nunca levaram a nada. Chega de posturas contidas e atitudes inúteis. Quando eu te vi, eu tive a certeza que todos nós perdemos tempo com coisas fúteis. Porque, no final, nada disso vai importar. Eu não posso esquecer tudo aquilo que a gente viveu; não posso considerar descartável porque não foi, pra mim não foi. Eu sinto falta dos sorrisos e das risadas exageradas. Eu quero de volta e pra já. Eu quero ter histórias para contar e eu quero você nelas.
Escrito por Cidadão Padrão às 21h35
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